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Notícias › 22/04/2021

Proteção de menores na pauta de encontro de religiosos franceses

A proteção de menores e a luta contra os abusos cometidos por alguns religiosos estão no centro da Assembleia Geral da Conferência dos Religiosos da França (CORREF), em programa até esta terça-feira, 20, em modalidade virtual, devido à persistência da pandemia relacionada à Covid -19.

“Os Institutos – lê-se em nota divulgada no início dos trabalhos – farão o balanço do trabalho desenvolvido pela CORREF neste âmbito, após a Assembleia Geral de novembro de 2020 e com base nas avaliações da Comissão Independente dos Abusos Sexuais na Igreja – CIASE”.

Criada pela Conferência Episcopal francesa em novembro de 2018, após a revelação de múltiplos casos de abusos por parte do clero, o órgão, também conhecido como “Comissão Sauvé“, em alusão ao nome de seu presidente Jean-Marc Sauvé, tem a tarefa de identificar as vítimas de abuso a partir de 1950. Suas conclusões são esperadas para o próximo outono. “Trata-se portanto – continua a nota da CORREF – de dar passos em frente nas decisões a serem tomadas” na luta e na prevenção de abusos.

E precisamente “ação e decisão” foram os elementos evocados pela Irmã Véronique Margron, presidente da Conferência, em seu discurso de abertura da Assembleia. Três, em particular, os princípios cardeais recordados pela religiosa: justiça reparadora, arrependimento e responsabilidade.

“A justiça reparadora – afirmou – inverte o cenário da justiça ordinária: no centro das atenções não está o culpado, mas a vítima”, para que “seja feita justiça mesmo onde, muitas vezes, não é mais possível fazê-la”, procurando “reparar o irreparável” e tornar a dor das vítimas “um pouco menos pesada”.

Mas para fazer isso, continuou Irmã Margron, é necessário praticar o arrependimento que “abre um novo tempo, não para apagar o passado, mas para agir juntos rumo ao futuro”. “O verdadeiro arrependimento é reconhecer que devemos cuidar dos outros – reiterou a religiosa – e nossa justa obra de arrependimento é: zelar por aqueles cujas vidas foram impedidas, transtornadas, atingidas até o âmago, restaurando sua dignidade; zelar por nossas comunidades para que se adaptem ao que é verdadeiro e bom; zelar pela nossa promessa de viver em nome do Evangelho que vence o mal e a morte; zelar pelo nosso compromisso religioso, que deve nos tornar autênticos irmãos e irmãs de todos”, porque os abusos cometidos por alguns religiosos “são crimes de fraternidade”.

Irmã Margron pediu igual vigilância “sobre os perpetradores de crimes semelhantes, para que sejam processados ​​por uma justiça que legitimamente exija responsabilidade, mas também acompanhados na medida do possível, de forma que respondam por seus atos para então, quem sabe, mudarem”.

Por fim, justiça reparadora e arrependimento exigem responsabilidade, acrescentou a presidente da CORREF, “uma responsabilidade que enfrenta o enigma do mal cometido, do mal que mergulhou vidas inteiras no abismo”.  Esta responsabilidade, de fato, “pode tornar possível às vítimas levantar a cabeça” e “quebrar o silêncio”.

“Lançar luz sobre as trevas” é importante, reiterou a religiosa, porque “a justiça reparadora pode ser iniciada somente chegando à verdade” e somente “se procurarmos compreender melhor quais são os abusos verificados, e como e porquê, então seremos capazes de evitar que se repitam, para construir um futuro melhor”.

A religiosa também exorta a “preparar mentes, corações, almas” para receber o relatório da Comissão Sauvé e ter em conta as suas recomendações, para então tomar as decisões necessárias na próxima Assembleia Geral da CORREF, marcada para novembro de 2021.

Irmã Margron concluiu seu pronunciamento dirigindo um pensamento e uma oração às duas religiosas e cinco sacerdotes recentemente sequestrados no Haiti e a todos os reféns que ainda estão nas mãos de seus sequestradores. “Imploramos paz e justiça para este amado país”, disse a presidente da CORREF, fazendo votos por fim de que a Assembleia Geral possa contribuir para “manter viva a fé ativa e perseverante a esperança” de todos os religiosos e religiosas, para que possam cumprir a sua missão como homens e mulheres de Deus.

 

Fonte: VaticanNews

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